domingo, 24 de julho de 2011

SER FELIZ

Ser feliz não é uma peça de roupa que se compra, se veste, e saímos por aí a passear ou outra coisa que se possa adquirir e trazer no bolso.
Também não é consequência do tipo de atenção ou prenda, que possamos receber dos que nos rodeiam, nem do dinheiro, até porque há milionários bastante infelizes.
Ser feliz é um estado de alma, e resulta da atitude individual com que cada um enfrenta a vida, as dificuldades, e como interage com os seus semelhantes.
Ao querer ser feliz com base no dinheiro, estamos a arriscar a ser infelizes a qualquer momento, veja-se os clientes do BPP e aqueles que perderam milhões na recente crise, e os que perderam empregos ultimamente, etc. Ao querer ser feliz com base na aceitação de uma determinada pessoa ou grupo de pessoas, estamos a fazer depender a nossa felicidade, de quem talvez, nem confiaríamos a nossa carteira ou um segredo.
A felicidade depende da nossa capacidade de amar, de dar, sem esperar reprocidade. Não escolhemos quem amamos, logo quem amamos também não, correcto? Dar como se dá a um cego! Dê-se uma boa esmola a um cego. Quando passamos por esse cego daí a dias, ele não nos vai reconhecer e nós nem damos por isso.
É assim que cada um tem de dar, amor, amizade, respeito, ajuda. A cada hora, cada dia. Durante a vida. E terá descoberto, não a felicidade, mas o caminho para ser feliz. E podem ter a certeza, quem ler isto, que quem sai do caminho deixa de sentir-se feliz. E quem não ler também :-).

SER CAMIONISTA

      
      Ser camionista, não creio ser uma profissão, mas sim um estilo de vida ou, se quiserem, uma forma de vida. Conduzir um camião não é um trabalho, em si, no meu ponto de vista  é um desafio, é uma forma de um indivíduo se superar, na medida em que cada momento é único. Um troço de caminho, mesmo que percorrido diversas vezes, é a cada momento diferente. O sol, a chuva, a noite e a intensidade do tráfego nas diferentes horas fazem essa diferença, o Outono a Primavera, o Inverno e o Verão também. Estas diferenças, embora muitas vezes subtis, requerem do camionista um comportamento e atitudes de acordo com o momento. Os diferentes destinos exigem do camionista uma capacidade diplomática, já que têm de se relacionar com os mais diversos tipos de humor, línguas e costumes, que resulta na maioria das vezes em amizades duradouras.
Ele é o rosto da empresa onde trabalha, do dono da mercadoria que transporta e do seu cliente. Tem de comunicar e solucionar dificuldades em locais onde vai pela primeira vez, na língua local e de acordo com regras quase sempre distintas.
Está munido de capacidade de improvisação, afim de na maioria dos dias, evitar situações imprevisíveis e difíceis, tanto nas longas estradas, como nas cidades, ou nos destinos. A impaciência, a pressa, a falta de civismo, a pouca educação e respeito dos condutores, na maioria de automóveis ligeiros, que não têm a mínima noção do difícil que é dominar um camião, faz do camionista um mestre na arte de prevenir desgraças, tanto humanas como económicas. Um camionista não se reconhece, só quando leva nas mãos um camião. Reconhece-se em qualquer momento da sua vida privada, na sua atitude a cada momento e em cada situação.
A interacção com pessoas das mais diversas origens, culturas, costumes, formação académica e religião obriga-o a ser um bom conhecedor da natureza humana.
Um camionista, é um homem, ou mulher, de mente aberta e com uma visão global da humanidade e da realidade Europeia, no nosso caso, que resulta difícil a outra pessoa alcançar, por muito que viaje ou estude.